Amei-te de um modo que era para sempre,
tu não soubeste guardar o que eu tinha dado.
Arranhei o tempo no capacitado verso que descasquei
de um dia em que fomos felizes; escrevi bobeiras.
Guardei coisas que ninguém guarda e tu perdeste
a fase de ser o único no meu milhão de coisas e afins.
Quando quebro o lacre do coração encontro-te acanhado,
queres e eu quero, mas desaprendemos o que é verdade.
Caminho se há, já não percebo. Onde paramos?
Não sei se retorno se parto continuo ou prossigo.
Dói-me a tua falta e a droga do sentir não passa.
Acaso sabes como faço para esquecer-te no verbo enraizado?
Na boca prevalece o gosto do resumo de loucas horas,
sonho de quem não sonhou completo e desentende o fim.
Arde a doçura que vivemos, ilusão de sermos o que não somos.
Amei-te como quem sofre a perda. Perdi-te e não sei aonde.
Talvez só eu tenha vivido o desejo justo da eternidade
e o que resta de nós é o todo – obra inacabada.
Antes que eu desespere tome meus desejos,
engula minhas vontades uma a uma
e aprove a loucura que eu trago presa nos olhos.
Deixe-me úmida, fruta pronta para seus lábios,
desnorteei meus rumos, desoriente meus pensamentos,
quero enlouquecer em sua cama, perder-me em seus abraços.
Capte a delicadeza de minha fome de amar,
lace noites acesas aos nossos corpos candelabros,
alumia-me de dentro para fora com seu gozo.
Imperfeita que sou ouça meu grito de prazer,
musical sentença aos seus ouvidos.
Devore meu querer, dome minha rebeldia,
devagar recomece como bem sabe.
Olhe profundamente meu deslizar no colchão,
toma-me sua brincadeira preferida
e assim serei em suas mãos o dado que acaricia
antes de lançá-lo ao seu destino.
Sabendo manipular-me prazerosamente terá imensa sorte:
Sua mulher, de dama a puta serei por todo o sempre, ternamente.
Confundem minha loucura com tara.
Confundem minha tara com fome.
Minha fome ninguém mata.
Tenho fome de vida!
Eliane Alcântara.
***
Devoção.
Gosto do arfar do seu corpo,
Do jeito que olha minha volúpia
E transforma minha parte santa
No mais puro ritual sacana.
Gosto como geme meus beijos,
A maneira de bagunçar meus cabelos,
Tocar minhas pernas e abri-las,
Busca desenfreada ao paraíso.
Perco-me em suas urgências,
Mergulho seus planos, devoro-os.
Excita-me sua voz rouca,
Dedos, lábios, língua, pele.
Quando me inundam os seus delírios
Sou a que grita seu nome, goza e renasce.
Gosto de ser preliminarmente sua mulher,
Porque só o seu cheiro anuncia, o tempo de ser feliz.
Uma tristeza sem cabimento foi logo entrando.
Não pediu para instalar-se nem pagou pedágio.
Rasgou-me o peito com frases memórias,
Pedaços de paixão desfiada em rasas lembranças.
Cumpriu mais que o tempo previsto
Sem deixar beirada para uma ligeira fuga.
E fui ficando impedida de sorrir ou sonhar.
Dominou-me a malvada e do meu querer se satisfez.
Quando partiu também não deu aviso prévio,
Deixou um vazio e voou para outro corpo.
Eu sem saber se poderia viver prossegui,
Aprendi com ela a não ser triste, morrer ou matar.
Hoje ensaio palavras para sobre(re)viver,
Engano tardes para beber a beleza do dia sumindo.
Um jeito louco de parecer normal
Na solidão de uma saudade inexplicável.
O que ela trouxe não conseguiu levar.
Já não choro, reclamo ou peço clemência.
Em minha demência vacilo horizontes felizes
Nas asas de uma ave que nomeei pensamento.
Pobre tristeza! Soubesse ela o que me deu
Lamentaria por dias sua infeliz existência.
Dos maus momentos brilha mais em meu peito,
Tudo o que foi bom e não esmorece com o tempo.
Convite para uma visita amanhã (dia 19)
ao Bar do Escritor.
Eliane... ‘Grávida’... Confira : )
Beijos e deliciosa semana.
***
Habitável prazer.
Leve faça seus dedos bailar em minhas pernas.
Acomode em meu sonho a sua boca
A dizer palavras soltas, bobas e que eu amo tanto.
Acaricie meu ventre com a ponta da sua língua,
Blusa levantada, arrepios na carne, gemidos seguros.
Um tesão inconfundível a aumentar até o momento certo.
Mira-me na cama, fera a brincar de domínio.
Conduza minhas mãos ao seu peito quente,
Molha com a lava da sua saliva os meus lábios.
Deixe que a luz da lua nos beije os corpos,
Invente astros ao arrancar-me a saia.
Sou paraíso para suas vontades, céu e imaginação.
Aprofunde seu destino de sol dentro de mim.
Alucinada sorrirei pureza com ar sacana,
Mansa mulher a atender os seus pedidos.
Pronuncie nomes ditos feios, fale de amor.
Faça amor sem receio, sem certo ou errado.
Coma-me pedaço da sua costela – restaura-me.
Depois não diga mais nada. Habita-me.
No divino horizonte dos traços de sua ternura
Repousarei meu prazer saciado. Sorriremos – o gozo!
Calada sem dizer que te amo
Perseguem-me os teus fantasmas.
Inda que eu grite o vazio
Existente por tua partida
E diga que já não te quero
Minha voz é pouca e muda
Para profetizar tais besteiras.
Cola logo tua vida a minha
Já não tenho saída ou esconderijo.
Traz tua língua para o meu corpo
E devora o que resta de amor
No que só teu é fonte nova.
Esvazia minha mente de idiotices
Calca-me ao teu prumo.
Para ser fora de ti nada suporto
E matar-me é endeusar-te
Mártir de nem sei o quê.
Decida logo se sou tua,
Quem espera o tempo engole
Quem diz sim não tem escolha:
Vive e permanece.
Olá. Desculpem a ausência...
Ando com uma preguiça enorme de postar : )
Anexo um texto em vídeo.
CONTEÚDO ERÓTICO, não abram caso não gostem.
Obrigada. Beijos!
Grita meu peito. Esqueça tristes queixas.
Canta a felicidade que agora não sinto,
Para que eu não morra com versos presos,
Minha alegria e agonia que por agora é dor.
Leva para longe à noite lúgubre,
Dá-me o dia de ser feliz, sonho e quietude.
Confidencia ao meu amado meus segredos,
Fugas que eu não quero mais presentes.
Reaja coração ingrato, já imploro.
Reaja para que eu viva e válido seja o seu pulsar.
Deste vazio a consumir os meus dias,
Assuma a verdade, arranca os espinhos da saudade.
Ando tonta de ser dilúvio neste amar,
Seca um pouco do meu choro, esclareça o meu vôo.
Mata o desespero em mim. Este inferno fantasiado,
Capaz de expor e recolher meus íntimos desejos.
Deixa sair os cantos que prendem o meu pensar.
Grita meu peito. Liberta, por favor,
Esta humana tinta quente que entristece
Quando sofro calada o que não digo.
Grita alto meu peito, a realidade... (o nome dele).
No início o pensamento é um barco, viaja, descobre.
Possui a velocidade desejada, alarga horizontes.
Tarde, no abandono do cais, é lembrança em luta pela memória.
Se foi atento viajante, resiste (vivendo) até que tudo se desfaça.
Se foi passatempo, apodrece com seus fantasmas.
Não diga que é curto o tempo. Tudo o que é precioso é criado na brevidade de um segundo. O que faz valer a eternidade é o que esse segundo é capaz de realizar no coração humano.
Um relâmpago é rápido e mesmo perigoso é belo de ser visto e admirado.
Se algum dia viver um grande amor e no final descobrir que ele passou, nunca esqueça que mais vale reviver a sintonia que existiu quando esse amor foi conjugado a dois do que o desespero.
Mais vale sorrir com a beleza passageira que deixa outros endereços para a felicidade do que lamentar os caminhos trilhados de maneira errada.
Aprendemos quando abrimos nosso ser e acolhemos as vindas e as partidas.
Somos eternos quando compreendemos que o coração guarda, a mente comanda e a alma sagra.
É provável que em alguns momentos a solidão bata a porta e entre sem convite pré-enviado. É provável que ela se instale em algum cômodo do nosso ser e nos obrigue a derramar muitas ou poucas lágrimas e tente provar que não vale a pena erguer a cabeça e buscar outros caminhos. É tarefa dela entristecer, mas também é tarefa da própria aproximar e revelar-nos nosso interior.
Na brevidade das coisas busque o essencial, reflita e prossiga.
Tome como estímulo os versos de um Poeta que quanto mais dilacerado pelo amor mais segue a cantá-lo. Porque ele sabe que exteriorizando a sua dor, dividindo-a com outros ele cresce e se faz construtor de sua vida. E assim, ele encontra outros iguais a si e tem com quem partilhar sua busca incansável pelo todo com seus pedaços reconstruídos. Assim ele aproveita até do vôo de um pássaro para amar a liberdade das asas.
Nos mínimos detalhes estão as fitas e cabe a cada um em questão de segundos optar em dar um nó ou um laço.
Pense antes de dizer adeus, pense antes de olhar para trás e recuar. Pense antes de tomar uma decisão definitiva. Muitas vezes não temos como retroagir.
A diferença está na brevidade de um ato, na escolha.
O que faz com que algo de pouca duração seja eterno é a maneira como olhamos para tudo o que vivemos.
Ouse a intensidade desde o deitar ao levantar e compreenderá que para ser feliz basta deixar que tudo seja válido em sua vida.
Não conte os anos como um fardo, mantenha-se atento a tudo! A felicidade pode chegar quando você estiver adormecido. Não! Não pense que ela irá embora. Se você foi capaz de permitir que o conhecimento da brevidade das coisas faz parte deste mundo, ela não irá, pois você foi mais longe e ela sempre foi sua fiel companheira de viagem.
Entenda... Um botão não leva uma eternidade para desabrochar, mas até hoje os amantes os usam para simbolizar o amor desmedido que sentem por suas amadas. E no silêncio, as pétalas se abrem rapidamente quando lábios se unem.
Aprenda a admirar tudo intensamente e a brevidade será a eternidade que você criar e proporcionar a si e a outros!
De um céu aonde me perco, desengano metade de mim.
Uma parte fala de encantos distantes, saudade em asas de sonho,
Outra não sabe quem é, e livre é sua, nos pensamentos que tenho.
Um tanto de quem sou morre em tardes alegres,
Outro nasce em manhãs as quais por lei habitam meu ser.
Dividida, multiplico todos os climas à espera
De que os reinvente com a chegada.
Qualquer luz de dia cinza se faz paraíso ao olhar escondido.
Há denúncia nos lábios para que me leia por partes,
Um quê de eu quero a cor do dia, no beijo da noite.
Se vou e antes não vinha é culpa do agora, seu e meu,
Metalinguagem das partes em que há o céu,
Fitilho de carne na pureza das coisas inexplicáveis.
__Guarda meus olhos do que já vivi...
... Descubra os sons de meus lábios
(falam em silêncio para que ouça).
Entrecortada, sei-me inteira felicidade de quem segue.